“A Baleia” estreia em São Paulo e provoca debate sobre os limites da adaptação do cinema para o palco
Com direção e tradução de Luís Artur Nunes, o espetáculo traz Emílio de Mello no papel de Charlie, ao lado de Luisa Thiré, Gabriela Freire, Eduardo Speroni e participação especial de Alice Borges
Por: Felipe Lucchesi
Foto: Divulgação


Estreou em São Paulo no Teatro Sabesp Frei Caneca, o espetáculo A Baleia, versão teatral do texto de Samuel D. Hunter que ganhou projeção mundial após a adaptação cinematográfica de 2022, dirigida por Darren Aronofsky e protagonizada por Brendan Fraser, vencedor do Oscar de Melhor Ator em 2023. A chegada da obra aos palcos paulistanos reacende uma questão recorrente no teatro contemporâneo: até que ponto uma narrativa consagrada no cinema mantém sua força emocional ao migrar para a cena teatral?
Na montagem apresentada na capital, a encenação aposta em uma experiência visual cuidadosa e tecnicamente bem resolvida, mas opta por um tom mais contido do que aquele que marcou o filme. O resultado é um espetáculo que se distancia da intensidade emocional que consagrou a obra no cinema, adotando uma abordagem mais leve e amena — escolha que tem dividido opiniões e provocado reflexões sobre o equilíbrio entre emoção, linguagem teatral e fidelidade ao espírito original do texto.
Com direção e tradução de Luís Artur Nunes, o espetáculo traz Emílio de Mello no papel de Charlie, ao lado de Luisa Thiré, Gabriela Freire, Eduardo Speroni e participação especial de Alice Borges. O elenco sustenta uma narrativa que aborda temas densos como isolamento, culpa, reconexão e a busca por afeto, centrais na trajetória do protagonista.
A história acompanha Charlie, um professor recluso que vive em isolamento extremo após uma sucessão de perdas pessoais. Homossexual, ele teve sua vida profundamente marcada por um relacionamento amoroso interrompido de forma trágica, experiência que influenciou diretamente seu estado emocional, sua saúde e sua relação com o mundo. Essa dimensão íntima, tratada com sensibilidade no texto original, amplia o alcance da obra ao dialogar com questões como intolerância religiosa, sexualidade, afeto e pertencimento, estabelecendo uma conexão direta com o público LGBTQIA+.
Entre a força simbólica da história e a contenção emocional da encenação, o espetáculo se coloca menos como uma reprodução do impacto cinematográfico e mais como uma releitura que convida o público a revisitar a obra sob outra perspectiva — ainda que, para alguns, com menor potência dramática.
A Baleia
Temporada até 1 de Março
Teatro Sabesp Frei Caneca
Rua Frei Caneca nº569 Consolação São Paulo-SP
Vendas online via Uhuu
