“Baixa Sociedade” transforma o riso em reflexão e provoca o público sobre valores e sucesso
Em um mundo frequentemente pautado por fama, dinheiro e padrões de beleza, o espetáculo encontra ressonância imediata
Por: Felipe Lucchesi
Foto: Leo Aversa


“Baixa Sociedade” é daqueles espetáculos que começam arrancando gargalhadas, mas terminam deixando perguntas incômodas ecoando na plateia. Ao longo de 90 minutos, o público acompanha o personagem vivido por Luiz Fernando Guimarães, um homem que transforma a riqueza em objetivo absoluto e passa a enxergar o dinheiro como o único caminho possível para a felicidade.
A jornada do protagonista expõe, com humor afiado e crítica social, o preço dessa obsessão: a incapacidade de perceber as sutilezas da vida, os afetos cotidianos e a verdadeira riqueza representada pelas pessoas ao seu redor. O riso surge fácil, mas vem sempre acompanhado de um desconforto proposital, que convida à autocrítica.
Em um mundo frequentemente pautado por fama, dinheiro e padrões de beleza, o espetáculo encontra ressonância imediata. A plateia se reconhece nas situações apresentadas em cena e é levada a refletir sobre a própria relação com sucesso, status e realização pessoal. O aplauso final não é apenas de entusiasmo, mas também de reconhecimento.
“Baixa Sociedade” se destaca justamente por ir além da comédia escapista. Ao usar o humor como ferramenta, a montagem provoca o espectador a repensar prioridades, valores e a atenção dedicada à posição financeira na construção da própria felicidade — uma reflexão atual, necessária e surpreendentemente profunda.
