Cansaço anunciado: público questiona a insistência da Globo no especial de Roberto Carlos no fim de ano
O SBT, por exemplo, apostou em uma programação de fim de ano mais diversa, reunindo shows de diferentes artistas e estilos musicais
Por: Mariana Mourão
Foto: Internet


Se você sobreviveu a mais um especial de fim de ano de Roberto Carlos, talvez haja motivos para acreditar que 2026 promete. A ironia que circula nas redes sociais traduz um sentimento cada vez mais evidente: o desgaste de um formato que, há décadas, ocupa espaço fixo na programação da Rede Globo e já não provoca o encantamento de outros tempos.
O questionamento é direto e recorrente: até quando? A manutenção quase automática do show do cantor como ritual televisivo de fim de ano passou a simbolizar, para parte do público, uma televisão que resiste em se reinventar. Em 2025, a exibição ocorreu em meio a um ano marcado por polêmicas envolvendo o artista, muitas delas relacionadas à percepção de distanciamento, falta de carisma e dificuldade de diálogo com os próprios fãs — fatores que ampliaram o desgaste da atração.
Enquanto isso, outras emissoras decidiram arriscar. O SBT, por exemplo, apostou em uma programação de fim de ano mais diversa, reunindo shows de diferentes artistas e estilos musicais, buscando dialogar com públicos variados e romper com a sensação de que o calendário televisivo está congelado no passado.
A comparação tornou-se inevitável. De um lado, a tradição mantida quase como obrigação institucional; de outro, a tentativa de surpreender, renovar e oxigenar a grade. O movimento evidencia uma mudança no comportamento da audiência, que já não consome passivamente o que lhe é oferecido e cobra criatividade, representatividade e dinamismo.
Em um cenário de múltiplas plataformas, streaming e consumo sob demanda, repetir fórmulas sem reflexão pode soar menos como homenagem à história da televisão e mais como resistência à mudança. O público, hoje, quer ser impactado — não apenas confortado pela nostalgia.
Talvez o debate não seja sobre o fim de um artista ou de um especial específico, mas sobre a necessidade urgente de repensar rituais televisivos que, ano após ano, reforçam a sensação de que o tempo parou. Em 2026, a audiência deixa claro: tradição só se sustenta quando também consegue se reinventar.
