“Dois Procuradores” estreia no Brasil e confirma Sergei Loznitsa como um dos grandes cronistas do autoritarismo

Com sua estreia no Brasil, o filme se apresenta como uma das obras mais relevantes do cinema autoral contemporâneo

Por: Felipe Lucchesi
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Após uma sólida trajetória pelos principais festivais internacionais, “Dois Procuradores” tem estreia confirmada no Brasil para 5 de fevereiro. O novo longa-metragem do cineasta ucraniano Sergei Loznitsa chega ao circuito nacional cercado de prestígio crítico, após integrar a seleção oficial do Festival de Cannes, onde concorreu à Palma de Ouro e conquistou o Prix François Chalais, prêmio dedicado a obras comprometidas com a defesa da verdade e dos valores do jornalismo.

Aclamado também em festivais como Toronto (TIFF), Nova York (NYFF), Sydney e Hamburgo, o filme marca o retorno de Loznitsa à ficção com a mesma precisão ética e formal que consagrou sua filmografia documental. Ambientada em 1937, no auge do regime totalitário de Stalin, a narrativa acompanha o jovem promotor Alexander Kornyev (vivido com notável contenção por Aleksandr Kuznetsov), que decide investigar abusos cometidos em um centro de detenção soviético após tomar conhecimento das torturas sofridas por um antigo promotor do Partido Comunista.

A força de “Dois Procuradores” é tamanha que o cineasta já confirmou uma sequência, “O Abajur Laranja”, que se passará no mesmo universo, desta vez a partir da perspectiva dos prisioneiros. A expectativa é de mais um mergulho incômodo — e necessário — nas engrenagens da opressão.

Com sua estreia no Brasil, o filme se apresenta como uma das obras mais relevantes do cinema autoral contemporâneo: um drama histórico de precisão cirúrgica, que recusa o conforto da neutralidade e reafirma o cinema como espaço de resistência, memória e reflexão crítica.

Sinopse

União Soviética, 1937. Milhares de cartas de detentos falsamente acusados pelo regime são queimadas em uma cela de prisão. Contra todas as probabilidades, uma delas chega a um recém-nomeado promotor local, Alexander Kornyev. Em busca de justiça, o jovem promotor se mobiliza para denunciar os métodos arbitrários praticados por agentes da polícia secreta, a NKVD.