“Minha Mãe Sandra”: quando o silêncio fala mais alto em um delicado filme sobre amor e identidade

KK Araújo demonstra maturidade narrativa ao optar por um registro que privilegia a verdade dos encontros e das conversas

Por: Felipe Lucchesi
Foto e Vídeo:
Silvana Lucchesi

Há filmes que informam, outros que emocionam — e há aqueles raros que fazem as duas coisas ao mesmo tempo com uma delicadeza quase desarmante. É exatamente esse o caso de Minha Mãe Sandra, longa-metragem dirigido por KK Araújo, que chega como uma obra profundamente humana, capaz de transformar uma história íntima em um retrato universal sobre amor, família e identidade.

O elenco do longa Minha Mãe Sandra, dirigido por KK Araújo, é formado por: Bianca Rinaldi, Laura Lorenzetti, Francis Helena Cozta, Ivan Parente, Lígia Fonseca, Sofia Fornazari, Marcelo Gomes, Pérola Luongo e Claudio Lorenzetti.

Sandra, figura central da história, emerge como uma personagem real e vibrante. Longe de qualquer construção caricatural, ela é apresentada em toda a sua complexidade: forte, afetuosa, imperfeita e absolutamente humana. É justamente nessa autenticidade que o filme encontra sua maior potência emocional.

No longa, a narrativa se distancia do formato tradicional ao abdicar dos diálogos convencionais. Em seu lugar, a condução da história acontece por meio de narrações, que funcionam como uma janela para o universo interior dos personagens. Essa escolha estética e narrativa não apenas confere originalidade ao filme, como também aproxima o espectador das camadas mais íntimas da trama, permitindo que ele mergulhe nas vozes que habitam os pensamentos e emoções de cada personagem.

Assim, o silêncio dos diálogos dá lugar a uma experiência sensorial e reflexiva, em que as narrações se tornam pontes entre o público e a subjetividade dos personagens, ampliando a potência emocional do longa.

“Minha Mãe Sandra” é uma celebração da escuta, da empatia e do amor em suas formas mais sinceras. E, graças ao olhar sensível de KK Araújo, essa história particular ganha contornos universais, reafirmando o poder do cinema como espaço de encontro entre vidas, memórias e afetos.


Nossa equipe foi conferir de perto a estreia e aproveitou para conversar um pouco com o elenco da obra.